Pela íngreme subida
Um rebanho de cabras
Passa só por passar,
Sem nada que temer
E sem nada estranhar.
Rebanho do perdido
Pastor que no vale está,
Caído, deitado, jazendo,
A ver por ver
E a observar por reparar
Na serra dele por cima.
Como cego, um turista
Pelas giestas num carro
Passa para uma observação
Suposta por quem pensa
Que o está observando.
Subindo a serra,
O turista nada vê
Senão a sua triste
E desagradável realidade
De cego mais cego
Que os cegos de nascença.
O pastor, de olhar fito,
No azul do céu,
Sente como é feliz
Assim, sem preocupações,
Sem a mortífera cegueira
Que o turista disfarçar
Por todos os meios pretende.
Que azar o turista passar
E em parar não pensar:
Assim já não lhe posso
Expor o quão feliz ser
Que poderia o turista ser.
Agora que o turista passou,
Não resta nada senão
A mistura do giesteiro
Amarelo e da verdura
Do belo prado.
A felicidade do turista
Já não se concretizará,
Mas a pastorícia
Felicidade, parecida
Com a das cabras,
Permanece intacta.
E a Natureza
A sua felicidade
Afectada vê, sem
Se sentir confortável
Na sua nova condição.
Desejo, sinceramente,
Não ser como aquele
Maldito turista que
Pela Natureza
Passear finge.
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