quarta-feira, 30 de junho de 2010

Novidade antiga

Há um local, um local que é só meu,

Um local apenas por mim explorado,

Um local tão distante e perto

Como outro local qualquer.

                 

Este local é quente e frio,

É silencioso e barulhento,

É o nada que é tudo,

É o puro e impuro,

É o fio e no entanto é a medalha,

É novo e velho,

É prudente e imprudente,

É haste e bandeira de minha sina,

É fogo que congela,

É água que seca.



Apesar de dentro de mim estar,

De leme não serve,

De gávea só a cegos pode ser útil,

De refúgio apenas serve

A quem o vazio procura.



Assim é este local,

A que muitos de glaciar

Chamam, mas ao qual eu

Chamo de fogueira apagada

Que outrora ao relento

Da noite interior esteve.


9 de Março de 2008

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