Há um local, um local que é só meu,
Um local apenas por mim explorado,
Um local tão distante e perto
Como outro local qualquer.
Este local é quente e frio,
É silencioso e barulhento,
É o nada que é tudo,
É o puro e impuro,
É o fio e no entanto é a medalha,
É novo e velho,
É prudente e imprudente,
É haste e bandeira de minha sina,
É fogo que congela,
É água que seca.
Apesar de dentro de mim estar,
De leme não serve,
De gávea só a cegos pode ser útil,
De refúgio apenas serve
A quem o vazio procura.
Assim é este local,
A que muitos de glaciar
Chamam, mas ao qual eu
Chamo de fogueira apagada
Que outrora ao relento
Da noite interior esteve.
9 de Março de 2008

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